Os dias seguintes foram marcados por jornadas exaustivas, pouca pausa e ocorrências simultâneas
Para destacar o trabalho de quem esteve na linha de frente durante os dias de caos, medo e tristeza vividos em Rio do Sul, o Jornal do Alto Vale – Especial Enchentes recebeu dois profissionais que atuaram diretamente no atendimento à comunidade. Os entrevistados foram o soldado Marco Antônio de Souza, do serviço operacional do 15º Batalhão de Bombeiros Militar de Rio do Sul, e o aspirante Lucas, que na época era Cadete e veio de Florianópolis para reforçar o Batalhão de Ajuda Humanitária.
Enquanto Marco atuou nos resgates e nas respostas imediatas às ocorrências, Lucas trabalhou na logística de donativos, na limpeza das ruas e nos apoios essenciais após a enchente.
Durante a entrevista, Lucas explicou que o trabalho humanitário vai além da força física. Envolve organização de donativos, distribuição de água e alimentos, apoio operacional e limpeza das áreas afetadas, ajudando a abrir caminho para a retomada das famílias. Marco relembrou que integrou a força-tarefa desde o início da segunda enchente, quando foi acionado ainda no período da tarde e seguiu diretamente para o bairro Dom Bosco, onde uma base de resgate já estava montada.

Os dias seguintes foram marcados por jornadas exaustivas, pouca pausa e ocorrências simultâneas. Marco descreveu momentos de forte tensão: equipes ilhadas, famílias sendo retiradas pelas janelas, correntezas intensas e pessoas aguardando resgate nos andares superiores das casas. “Às vezes íamos atender cinco pessoas e, no caminho, mais quinze apareciam nas janelas pedindo ajuda. Era angustiante, mas a gente prometia que voltaria — e voltava”, relembrou.
Lucas, que atuou principalmente na fase de retorno às residências, afirmou que ajudar na limpeza das casas e no processo inicial de reconstrução foi emocionalmente marcante. Para ele, esse é o momento em que a população recupera um pouco da esperança.
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