A arrecadação mensal girava em torno de R$ 10 mil, dos quais 30% ainda eram repassados a outras entidades
A Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE) de Rio do Sul realiza um trabalho essencial no atendimento a pessoas com deficiência intelectual e múltipla, além de transtornos do espectro autista. Atualmente, a entidade atende alunos de vários municípios da região, oferecendo apoio pedagógico, terapias e acompanhamento especializado. Na manhã desta segunda-feira (24), a diretora administrativa da APAE, Maria Madalena Ignaczuk, participou do Jornal do Alto Vale. Durante a entrevista ela falou sobre o funcionamento da instituição, e os desafios da estrutura, além do processo de concessão da Área Azul.
A situação da Área Azul na cidade, é um tema que ainda gera muita confusão entre a comunidade. A atual direção da entidade, que está há sete meses na gestão, afirma que a operação do estacionamento rotativo nunca representou um bom negócio para a instituição. “O valor repassado mensalmente à APAE girava em torno de R$ 10 mil, mas mesmo assim a entidade ainda era obrigada a destinar 30% desse montante a outras instituições — como o Lar das Meninas, a Renal Vida e o Asilo — conforme estabelecido na época.
Além do baixo retorno financeiro, a direção da APAE destaca “que o processo de concessão da Área Azul foi realizado de forma inadequada, o que acabou resultando na judicialização da situação. Atualmente, a questão está sob análise do Ministério Público. A APAE também reforça que, legalmente, não pode mais participar de uma nova concessão, que deverá ser realizada por meio de licitação pela Prefeitura”, completou.
APAE quer se aproximar da comunidade
O desgaste causado pelo assunto refletiu diretamente na relação da entidade com a população. Segundo a diretoria, durante ações como pedágios ou campanhas de venda de cartões de churrasco, surgiram reclamações e até ataques verbais por parte de pessoas que culpavam a APAE por problemas relacionados à Área Azul, como notificações e multas. “Ele disse que odeia a APAE, e disse que perdeu a carteira por causa da APAE. Nossos colaboradores são insultados durante o pedágio, porque a APAE roubou. A APAE, passou a ser o patinho feio por causa da Área Azul. A Área Azul trouxe uma coisa muito negativa, mas tenho certeza que vamos reverter isso”, destacou.
Por isso, a instituição tem trabalhado para reverter essa imagem e reforçar seu verdadeiro papel social. Um novo projeto será lançado em abril, com o objetivo de aproximar novamente a sociedade, especialmente o setor empresarial, e reforçar a importância da APAE para centenas de famílias da região.
Atualmente, a APAE de Rio do Sul atende 370 alunos de sete municípios do Alto Vale do Itajaí, oferecendo suporte educacional e terapêutico essencial a pessoas com deficiência.
Ouça a entrevista na íntegra:
Texto: Jéssica Sens / Rádio Mirador