Policial Civil do Estado pediu internação de principal suspeito pelo crime
A investigação sobre a morte do cão Orelha, ocorrida no início de janeiro na Praia Brava, em Florianópolis, avançou de forma decisiva nesta terça-feira (3). Após semanas de trabalho, a Polícia Civil de Santa Catarina concluiu a apuração reunindo um conjunto consistente de elementos — como imagens de câmeras de segurança, depoimentos, análise de vestimentas e dados de geolocalização — que permitiram reconstituir a dinâmica do crime e fundamentar o pedido de internação provisória de um adolescente, apontado como autor da agressão.
Segundo a polícia, a identificação do jovem foi possível a partir da análise de registros de 14 câmeras de segurança, que somaram mais de mil horas de gravações, além do cruzamento dessas imagens com informações técnicas e relatos de testemunhas.
O ataque ocorreu na madrugada de 4 de janeiro, por volta das 5h30, na Praia Brava. Conforme laudos da Polícia Científica, o animal sofreu um impacto violento na cabeça, possivelmente provocado por um chute ou por um objeto rígido, como madeira ou garrafa.
A apuração indicou que o adolescente deixou o condomínio onde estava hospedado às 5h25 e retornou às 5h58, acompanhado de uma amiga. Em depoimento, ele declarou que não havia saído do local, afirmando ter permanecido na área da piscina durante todo o período. As imagens captadas e os relatos de testemunhas, contudo, contrariaram essa versão.
Um moletom e um boné rosa usados no dia do crime ganharam destaque ao longo da investigação. Quando a polícia passou a focar na identificação do suspeito, o adolescente já se encontrava em viagem aos Estados Unidos, retornando ao Brasil apenas em 29 de janeiro. No desembarque no Aeroporto Internacional de Florianópolis, ele foi abordado pelos investigadores.
Durante a ação, familiares teriam tentado ocultar o moletom e o boné em uma bolsa, alegando inicialmente que as peças haviam sido compradas no exterior. Posteriormente, o próprio adolescente reconheceu que já possuía as roupas antes da viagem. O material foi apreendido e confrontado com as imagens obtidas pelas câmeras de segurança.
De acordo com a Polícia Civil, a responsabilização do jovem se baseou em um conjunto de fatores, entre eles depoimentos de testemunhas, confirmação por imagens de que ele esteve no local e no horário do crime, dados de geolocalização extraídos por softwares estrangeiros, registros da portaria eletrônica do condomínio, contradições no depoimento e indícios de tentativa de coação de testemunhas por parte de familiares.
Ao longo do inquérito, 24 pessoas foram ouvidas, e oito adolescentes chegaram a ser investigados. Com a conclusão da investigação, a Polícia Civil entendeu que o adolescente praticou ato infracional equivalente ao crime de maus-tratos, solicitando sua internação provisória. Segundo o delegado Renan Balbino, o jovem apresentou contradições reiteradas e omitiu informações relevantes durante a apuração.
Em nota, os advogados Alexandre Kale e Rodrigo Duarte, que atuam na defesa do adolescente, afirmaram que os dados divulgados seriam apenas circunstanciais e insuficientes para conclusões definitivas. Em respeito ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), não foram divulgados nomes, idades ou locais de residência do envolvido. O caso segue agora para análise do Judiciário.
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