O setor alimentício, com destaque para as carnes, segue como principal motor das exportações rio-sulenses, respondendo por 64,1% do total embarcado
Rio do Sul voltou a ocupar posição de destaque no comércio exterior catarinense em 2025. As exportações do município somaram US$ 151,6 milhões, o maior volume registrado desde 2014, consolidando a cidade como a 10ª maior exportadora de Santa Catarina. O resultado representa um crescimento de 0,68% em relação a 2024, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.
Embora o recorde histórico permaneça em 2011 — quando o município alcançou US$ 174,9 milhões e ficou na sétima colocação estadual —, o desempenho mais recente sinaliza uma retomada consistente da presença internacional das empresas locais, especialmente em mercados estratégicos fora da Ásia.
O setor alimentício, com destaque para as carnes, segue como principal motor das exportações rio-sulenses, respondendo por 64,1% do total embarcado. Na sequência aparecem máquinas e equipamentos mecânicos (17,46%), tabaco (11,82%) e produtos de madeira (5,05%). Os demais segmentos somam participação inferior a 1,6%, evidenciando ainda forte concentração em poucos grupos produtivos.
No recorte geográfico, a Ásia continua liderando como principal destino, com 47,74% das vendas externas. No entanto, o continente perdeu espaço em relação a 2024, quando concentrava mais de 50% das exportações. Em contrapartida, a América do Norte ampliou de forma expressiva sua participação, alcançando 22,55%, enquanto o Oriente Médio respondeu por 8,01% do total — ambos em trajetória de crescimento.
A América do Sul manteve participação relevante, com 13,68%, e a Europa ficou com 6,68%. Já América Central, África e Oceania permanecem como mercados pontuais, com menos de 1% cada.
O movimento mais marcante de 2025 foi justamente a reconfiguração dos destinos comerciais. Enquanto a Ásia perdeu fôlego, a América do Norte avançou cerca de 6% em participação, e o Oriente Médio registrou crescimento superior a 44%, indicando uma estratégia clara das empresas locais de reduzir a dependência de um único bloco econômico.
Para a Federação das Indústrias de Santa Catarina (FIESC), essa mudança reflete uma adaptação ao atual cenário internacional. Em relatório divulgado no início de janeiro de 2026, a entidade avalia que a diversificação de mercados é uma resposta direta a um ambiente global marcado por tarifas, sanções econômicas e barreiras sanitárias, fatores que afetam tanto a demanda quanto a logística das exportações.
Segundo a FIESC, ampliar o número de parceiros comerciais tem sido fundamental para garantir maior estabilidade às empresas exportadoras, ao mesmo tempo em que reduz riscos associados à concentração em poucos destinos. A entidade também destaca que o câmbio favorável contribuiu para o bom desempenho da balança comercial catarinense em 2025, que registrou crescimento de 4,4% no volume exportado.
Com esse cenário, Rio do Sul encerra 2025 não apenas com números expressivos, mas com uma nova configuração estratégica no comércio exterior — mais diversificada, menos dependente da Ásia e cada vez mais conectada aos mercados da América do Norte e do Oriente Médio.











