Cinco dos seis contratos da 3Structure IT foram firmados durante o governo Lula; Polícia Federal apura suspeita de tráfico de influência envolvendo o filho do presidente e um dos sócios da empresa
A empresa de tecnologia 3Structure IT, investigada pela Polícia Federal por uma possível atuação de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, na aproximação com órgãos públicos, acumula seis contratos com o governo federal que somam R$ 81,19 milhões. Cinco desses acordos foram assinados durante o atual governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, enquanto o outro foi fechado em novembro de 2022, durante a gestão de Jair Bolsonaro, e recebeu em julho deste ano um aditivo de mais de R$ 3,5 milhões. Os contratos envolvem o fornecimento de soluções de tecnologia da informação para diferentes órgãos federais.
Entre os acordos está um contrato de R$ 33,88 milhões com o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, firmado originalmente em dezembro de 2023 para serviços de sustentação e migração de ambiente analítico de dados. Em abril de 2026, o mesmo ministério assinou outro contrato, de R$ 19,25 milhões, para implantação de uma solução de backup. A empresa também possui um contrato com o Exército, originalmente de R$ 21,83 milhões, que passou para R$ 25,4 milhões após um aditivo autorizado em julho. Há ainda acordos com o Ministério da Educação, no valor de R$ 177,6 mil, e com a Funasa, de R$ 2,46 milhões.
A investigação foi autorizada pelo Supremo Tribunal Federal e apura suspeitas de tráfico de influência envolvendo Lulinha e Cléber Ribas de Oliveira, sócio da 3Structure IT. Segundo a apuração da PF, o empresário teria buscado negócios junto à Dataprev e outros órgãos públicos e Lulinha teria atuado para facilitar o acesso a integrantes da administração federal. A investigação também analisa uma viagem dos dois a Foz do Iguaçu, em dezembro de 2024, realizada com o mesmo localizador de voo, diante da suspeita de que as despesas teriam sido custeadas pelo empresário. As circunstâncias ainda são alvo de investigação e não representam, até o momento, uma conclusão de responsabilidade criminal dos envolvidos.








