Em agosto de 2024, mãe e filhos foram mortos a tiros dentro da casa onde a família morava, em Presidente Getúlio
O Judiciário de Presidente Getúlio condenou Gelvani Hasckel, irmão de Gilson Hasckel — autor do assassinato de Edinéia Telles e dos dois filhos do casal, de 2 e 4 anos, em agosto de 2024. Gelvani recebeu pena de 6 anos, 8 meses e 10 dias de reclusão, além de 1 ano de detenção, por auxiliar na ocultação dos corpos da ex-cunhada e dos sobrinhos. A sentença também fixou indenização de R$ 500 mil à família de Edinéia.
O caso ganhou grande repercussão no Vale do Itajaí pela brutalidade dos fatos. Gilson Haskel, responsável pelos assassinatos, foi encontrado morto na cela da Penitenciária de Segurança Máxima de São Cristóvão do Sul no dia 9 de novembro, três meses após o crime e antes de ser julgado.
Em entrevista à Rádio Mirador, a defesa técnica de Gelvani Hasckel – Dra. Letícia Bilk, explicou que a concessão da prisão domiciliar monitorada é resultado de uma análise jurídica criteriosa, baseada no conjunto processual e no preenchimento dos requisitos legais para o chamado regime semiaberto harmonizado. A equipe é formada pela advogada Dra. Letícia Bilk, pela Dra. Camila Quinal e pelo Dr. Rodolfo Warmening.
Segundo a defesa, Gelvani permaneceu mais de um ano encarcerado, tendo passado pela unidade de segurança máxima de São Cristóvão do Sul, pela Penitenciária Industrial de Blumenau e, posteriormente, pelo Presídio Regional de Rio do Sul.
Condenação do irmão
No processo de origem, ele foi absolvido dos crimes de fraude processual e porte ilegal de arma de fogo de uso permitido, mas condenado por ocultação de cadáver, posse de arma de fogo de uso permitido e omissão de comunicação, recebendo pena inicial de 6 anos, 8 meses e 10 dias de reclusão, além de 1 ano de detenção e indenização fixada em R$ 500 mil.
A defesa recorreu, e o Tribunal de Justiça de Santa Catarina reconheceu pontos considerados essenciais: absolveu Giovani do crime de omissão de comunicação, aplicou a atenuante de confissão e reduziu o valor da indenização para R$ 30 mil. Com isso, a pena total foi reduzida para 4 anos e 5 meses de reclusão, além de 1 ano e 1 mês de detenção.
Com o novo cálculo, Giovani progrediu do regime fechado para o semiaberto e foi transferido para o Presídio Regional de Rio do Sul para iniciar a nova fase da pena. Na sequência, a defesa solicitou a aplicação do regime semiaberto harmonizado, fundamentado na Súmula Vinculante nº 56 do STF — que impede que a falta de vagas adequadas prejudique o apenado — e na Portaria nº 2/2023 do Juízo de Rio do Sul, que permite a concessão de prisão domiciliar monitorada a presos do semiaberto que atendam critérios como bom comportamento, cumprimento de parte da pena e proximidade da progressão para o regime aberto.
O que diz a defesa do irmão
A defesa afirmou que Gelvani preenchia todos os requisitos e ressaltou ainda a situação crítica do Presídio Regional de Rio do Sul, que atualmente abriga cerca de 440 detentos, apesar da capacidade máxima de 278, caracterizando superlotação.
Diante dos fundamentos jurídicos e da realidade estrutural apresentada, o Judiciário concedeu o regime semiaberto harmonizado, permitindo que Giovani cumpra a pena em prisão domiciliar com monitoramento eletrônico.
A equipe de defesa informou que segue acompanhando integralmente a execução da pena e destacou que todas as medidas adotadas buscaram assegurar o devido processo legal, o respeito às garantias fundamentais e a correta aplicação da decisão do Tribunal de Justiça. Para os advogados, o resultado representa a efetivação da justiça dentro dos parâmetros estabelecidos pelo ordenamento jurídico.
Relembre a tragédia
Em agosto de 2024, Edinéia Telles e os dois filhos foram mortos a tiros dentro da casa onde a família morava antes da separação, em Presidente Getúlio. Após cometer o crime, Gilson contou com o apoio do irmão, Gelvani, para esconder o revólver e a espingarda usados nos homicídios e para ocultar os corpos.
Gilson transportou as vítimas no carro de Edinéia até uma área de mata em Ibirama. No local, incendiou o veículo com os corpos no porta-malas e, em seguida, o arremessou em uma ribanceira. O automóvel queimado foi localizado no dia seguinte, o que levou à descoberta da tragédia.
Após ocultar os corpos, Gilson fugiu para o Paraná usando o veículo do irmão. A prisão ocorreu após troca de informações entre as forças de segurança de Santa Catarina e do Paraná. Ao ser abordado, ele confessou ter matado a ex-esposa e os filhos pequenos.








