Denúncia foram aceitas em sessão realizada no fim da tarde de quinta-feira (29)
A Operação Mensageiro voltou a avançar nesta quinta-feira (29) citando mais um agente político do Alto Vale. Em sessão realizada ontem, o Tribunal de Justiça de Santa Catarina recebeu mais duas denúncias apresentadas pelo Ministério Público de Santa Catarina, uma delas envolvendo fatos apurados em Agrolândia.
Com o recebimento das denúncias, tornaram-se réus o ex-prefeito de Agrolândia, Urbano José Dalcanale (MDB), e o atual prefeito de Balneário Barra do Sul, Ademar Henrique Borges (PSD). As acusações contra o ex-mandatário do Alto Vale e o chefe do Executivo do Norte de Santa Catarina foram aceitas por unanimidade em julgamentos realizados pela 5ª Câmara Criminal do TJSC.
As denúncias foram oferecidas pela Subprocuradoria-Geral de Justiça para Assuntos Jurídicos do MPSC e tratam de crimes relacionados à corrupção, fraude em licitações e organização criminosa, investigados no âmbito da Operação Mensageiro. Na mesma sessão, os desembargadores também analisaram recursos apresentados pelas defesas dos ex-prefeitos de Corupá e Pescaria Brava, igualmente réus na operação. As teses defensivas foram rejeitadas e o Tribunal fixou as penas privativas de liberdade em 40 anos e 80 anos de reclusão, respectivamente, ambas em regime inicial fechado.
Entre julho e dezembro de 2025, a Subprocuradoria-Geral de Justiça ajuizou 13 novas ações penais relacionadas à Operação Mensageiro, envolvendo 32 denunciados — entre prefeitos, ex-prefeitos, servidores públicos e empresários. Segundo o Ministério Público, os crimes investigados causaram prejuízo estimado em cerca de R$ 4,5 milhões aos cofres públicos. Também foram ajuizados pedidos de indisponibilidade de bens dos réus, todos deferidos pelo Judiciário.
Desde o segundo semestre de 2025, o TJSC já recebeu denúncias envolvendo crimes praticados nos municípios de Rio Negrinho, Imaruí, Garopaba, Jaguaruna, Correia Pinto, Rio do Sul, Agrolândia e Balneário Barra do Sul. Outras denúncias seguem sob sigilo e ainda aguardam análise para recebimento.
A Operação Mensageiro
Deflagrada em dezembro de 2022, a Operação Mensageiro completou três anos em dezembro de 2025 e é considerada a maior ofensiva contra a corrupção já realizada em Santa Catarina. A investigação é conduzida pela Subprocuradoria-Geral de Justiça para Assuntos Jurídicos, com atuação integrada do GEAC e do GAECO.
Em agosto de 2025, a operação chegou à sexta fase, com a prisão preventiva de empresários suspeitos de manter as práticas ilícitas e o cumprimento de mandados de busca e apreensão contra servidores, ex-servidores e agentes políticos, incluindo ex-prefeitos de Braço do Norte e Rio do Sul.
A Operação apura a atuação de uma organização criminosa empresarial que, em conluio com prefeitos e outros agentes públicos, fraudava contratos nos setores de coleta e destinação de lixo, abastecimento de água e iluminação pública em diversos municípios catarinenses e também em outros estados do país.
As investigações tiveram origem em 2021, a partir da Operação Et Pater Filium, que revelou um esquema de corrupção no Planalto Norte catarinense. À época, um prefeito investigado firmou acordo de colaboração premiada, confessou os crimes e apresentou novas provas sobre o pagamento sistemático de propina pelo grupo empresarial investigado.












