O projeto apresentado pelos vereadores prevê que a indicação seja feita pela Fundação Cultural de Rio do Sul
A mudança nos critérios de indicação da Comenda Escrava Anastácia gerou polêmica na última sessão da Câmara de Vereadores, na segunda-feira (31). A presidente da Associação Cultural Anastácia da Raça Negra Ação Popular da Região do Alto Vale do Itajaí (Acarnap), Deiziane de Souza da Silva Fontanive, a Preta, usou a tribuna da sessão e criticou os vereadores pela proposta, já que a entidade realizava a indicação do nome para a Comenda desde 2006, quando ela foi instituída por lei.
A proposta é uma alteração do Projeto de Lei 4435/2006, que instituiu o Dia da Consciência Negra na cidade, sendo assinada pelos vereadores Ruan Cipriani, Marcela Baumgarten, Dani Pamplona, Juliano Peixer e Zeca Bittencourt. As alterações já foram lidas na Câmara e chegaram na comissão do mérito, onde gerou a discussão. O projeto apresentado pelos vereadores prevê que a indicação seja feita pela Fundação Cultural de Rio do Sul, seguindo critérios e currículo apresentados pela entidade. Também revoga o artigo que determina a oferta de coquetel temático que ocorria na sessão solene de entrega da Câmara.
“Desde quando um legislador municipal tem a competência para reescrever a história de um povo, de desvalorizar uma luta, que é contínua, diária no Alto Vale. Essa série de ações envia uma mensagem clara à população negra de Rio do Sul, que não reconhecemos, não respeitamos e queremos silenciar aqueles que resistem e lutam contra o racismo. É isso que queremos como legado legislativo”, questionou Deiziane utilizando a tribuna da Câmara.
Ela também detalhou que a Acarnap é uma entidade premiada em nível estadual e nacional. “É uma entidade sendo atacada, atacada por cumprir o seu papel, por promover cultura e identidade negra nessa cidade”, comentou.