O curso busca capacitar os profissionais para que possam lidar com essas situações com mais empatia e técnica
Na manhã desta sexta-feira (28), a Rádio Mirador recebeu no Jornal do Alto Vale, o cabo Glaucio Beumer, do 15º Batalhão do Corpo de Bombeiros Militar de Rio do Sul. Ele, que recentemente concluiu um curso especializado sobre abordagens a tentantes de suicídio, foi convidado para compartilhar sua experiência e falar sobre os desafios enfrentados pelos profissionais de segurança no atendimento a essas situações delicadas.
Beumer, que tem acompanhado de perto as ocorrências de tentativas de suicídio na cidade, destacou a importância do treinamento especializado. Ele explicou que, antes do protocolo de abordagem, o atendimento a esses casos era feito de maneira mais bruta e sem a devida compreensão do estado psicológico da pessoa. “No passado, a abordagem era mais agressiva, tentando retirar a pessoa rapidamente da situação. Hoje sabemos que esse tipo de ação pode causar mais sofrimento e agravar o estado emocional de quem está tentando tirar a própria vida”, afirmou o cabo.
Curso em Criciúma
O curso que Beumer participou, em Criciúma, teve como objetivo, treinar os profissionais para que possam lidar com essas situações com mais empatia e técnica. “A pessoa que tenta o suicídio geralmente não quer morrer, ela quer acabar com a dor que está sentindo. Nosso trabalho é tentar aliviar esse sofrimento e ajudar no processo de recuperação”, explicou.

Beumer também abordou a importância de uma ação coordenada e rápida. Em situações de risco, o tempo é um fator crucial. Quando alguém está em perigo, como a pessoa que tenta se jogar de um ponto elevado, é essencial acionar os serviços de emergência o mais rápido possível. Ele enfatizou que, em casos como esses, o primeiro passo é ligar para o número 193 (Corpo de Bombeiros) ou 192 (SAMU) e, se for seguro, estabelecer um diálogo com a pessoa, oferecendo apoio e tentando acalmá-la. “Geralmente, a pessoa que está nesse momento não tem a intenção imediata de cometer o ato. Ela está pedindo ajuda, e uma conversa pode ser suficiente para interromper o gesto”, disse.
Sobre a questão do acompanhamento pós-atendimento, Beumer alertou para a necessidade de um suporte contínuo às pessoas que passam por esse tipo de crise. Ele ressaltou que, embora a abordagem de emergência seja importante, o tratamento psicológico contínuo é essencial para evitar reincidências. “Após o atendimento, a pessoa precisa de acompanhamento para tratar a dor emocional que levou a esse momento de crise. Sem esse suporte, o risco de recaída é grande”, afirmou.
Ouça a entrevista: